Ryan Gosling é duro na queda na divertidíssima comédia de ação ‘O Dublê’

Só para assinantesAssine UOLOpiniãoRyan Gosling é duro na queda na divertidíssima comédia de ação ‘O Dublê’Roberto SadovskiColunista de Splash02/05/2024 12h00

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da jogodeourobet: “O Dublê” é menos um filme e mais uma celebração. Claro, o diretor David Leitch (“Atômica”, “Trem-Bala”) já provou que sabe dosar ação e comédia, e aqui ele coloca um par de astros transbordando charme a serviço de uma trama exagerada, absurda e que nem sempre faz sentido. O barato, contudo, é usar a ficção para aplaudir a turma que de fato rala nos bastidores.

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Não poderia ser diferente. Antes de se tornar uma aposta segura no comando de grandes espetáculos em Hollywood, Leitch pagava os boletos como dublê, emprestando seu talento em filmes como “Blade”, “Matrix Reloaded” e “O Ultimato Bourne”. Adaptar a série “Duro da Queda”, ambientada nesse mundo e que formou caráter de muita gente nos anos 1980, foi uma escolha natural.

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Ao longo de mais de uma centena de episódios, Lee Majors dava expediente como Colt Seavers, dublê que, entre um filme e outro, engordava a renda como caçador de recompensas. A versão para o cinema mantém Seavers à frente, mas abraça uma trama que mergulha ainda mais nos bastidores de um candidato a blockbuster.

Aqui, o herói é defendido por Ryan Gosling, aproveitando a fase bacana de “Barbie” como um dínamo de charme. Após sofrer um acidente no set da nova aventura do astro Tom Ryder (Aaron Taylor-Johnson), Seavers sai do radar, deixando seu flerte com uma colega de trabalho, Jody Moreno (Emuly Blunt), a ver navios.

Um ano e meio depois, tendo abandonado a profissão, Seavers é convocado para a Austrália a pedido da produtora Gail Meyer (Hannah Waddingham), para trabalhar justamente na estreia de Jody como diretora. Fagulhas pipocam no reencontro, mas Gail logo revela ao dublê sua verdadeira “missão”: encontrar Ryder, que desapareceu ao se encrencar com uma turma casca-grossa, e salvar a produção.

A trama, um trelelê de dúzias de surpresas, reviravoltas e personagens que entram e saem sem muita cerimônia, é o que menos importa. O interesse de Leitch é usar a estrutura do cinema de ação para executar cenas vibrantes e acelerada. Ele usa todo o talento de sua equipe de dublês em sequências que deixam a magia dos efeitos digitais (levemente) de lado para se concentrar nas acrobacias realizadas na frente da câmera.

“O Dublê” (título genérico e bobão que não tem um décimo do charme de “Duro na Queda”) tem dois elementos cruciais a seu favor. O primeiro é o truque do filme dentro do filme, o que abre espaço para dúzias de referências (algumas que só a turma da indústria vai captar) e piadas espertas. Tanto a comédia quanto a ação estão muitíssimo bem servidas.

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O segundo, como não seria diferente, é a química irresistível da dupla Ryan Gosling e Emily Blunt. Eficiente em boa parte de sua metragem, o filme torna-se imbatível sempre que eles dividem uma cena. Tem algo em seu jogo de palavras, em que o roteiro claramente traça um caminho para que os astros improvisem à vontade, que deixa sua interação mais natural. Mesmo quando “O Dublê” encosta num clímax assumidamente exagerado, eles mantém a bola em campo.

Os anos 1990 dispararam uma sequência interminável de adaptações de séries de TV no cinema. De “O Fugitivo” a “O Protetor”, passando por “Missão: Impossível”, “As Panteras”, “Miami Vice” e “Anjos da Lei”, não havia propriedade intelectual que não pudesse ser espremida como candidato a blockbuster. Alguns deram (muito) certo, outros evaporaram na memória. É do jogo.

Quando a fórmula funciona, a nostalgia pode render um produto exagerado, charmoso e perfeito para duas horinhas de ócio cinematográfico. “O Dublê” abusa dessa mistura com reverência e criatividade — até Lee Majors teve espaço na celebração! Só é chato mesmo chamar “The Fall Guy” de “O Dublê”. Em meu coração, ele será sempre “Duro na Queda”.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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